domingo, 14 de julho de 2013

Budapeste, a Paris do Leste Europeu

Pra quem vem acompanhando minha viagem desde o último post Vienna do Lixo ao Luxo talvez tenha visto o dilema em que eu fiquei. Daquela novela toda que aconteceu, do atraso do trem, a gente quis apostar em ir pra Budapeste de todo jeito. Um cara lá na estação emprestou o telefone e conseguimos falar com a recepcionista que foi um anjo. Ela falou que nos esperaria sem problemas. Colocamos crédito num dos nossos celulares pra manter contato com ela.

Até a hora do bendito trem foi muita agonia. Não tinha nada pra fazer na estação, pelo menos tinha internet. O tempo passava, eu já não tinha mais euro pra gastar :'( e o que sobrou deu pra comprar um sanduíche. Esse foi meu jantar. Tentei prolongar ao máximo o sanduíche pro tempo passar, mas 100 minutos simplesmente não se esgotavam. Quando o tempo de delay finalmente estava acabando, acrescentaram 20 minutos. E depois mais 20 minutos. Foi quando eu disse que se aumentassem 1 minuto, eu não ia mais naquela tentativa de maria fumaça nem de graça.

O trem chegou. Amém.
Ainda teríamos umas boas horas até chegar em Budapeste, pelo menos agora a gente estava sentado dentro de um trem já indo em direção à cidade, e não dentro de uma estação sem fazer nada. A previsão era que de uma da manhã chegássemos lá. Achamos um vagão estilo Harry Potter sabe, uma cabine com 3 cadeiras de frente pras outras. Foi lá que nos aconchegamos para dormir. Por 3 vezes passaram pedindo os tickets, e claro que eles não estavam nem aí pra quem estava à dormir.

Em torno de 1 da manhã chegávamos a Budapeste. Claramente o nosso trem era o último do dia, e os funcionários estavam só esperando sairmos para fecharem tudo, supus. Tivemos que nos render ao táxi, embora nosso hostel não estivesse distante dali, mas claro que o taxista ia dar um jeito de nos enrolar. Ele foi tão rápido e loucamente que o taxímetro estava rodando adoidado. No fim, 7000 forint húngaros.

Chegando no hostel, a melhor surpresa em descobrir aquele apartamento agradável que se transformou num hostel. Tínhamos um quarto só nosso e uma casa inteira à disposição. Nome: Downtown Oasis Hostel. A recepcionista que nos esperou ainda arranjou um tempinho para nos explicar o que quiséssemos da cidade antes de ir embora tarde da noite. Um boa noite de sono depois, estávamos todos animados, já visando ir para outro Free Walking Tour, repito, se tiver tempo é a melhor opção para conhecer a cidade no primeiro dia de viagem.

Sala de estar com Tv, jogos, dvd e tudo mais.
Quarto já afetado pela bagunça do dia seguinte
Vista da varanda :3 Olha a maior sinagoga da Europa ali.
O tour já chegou me surpreendendo, com a surpresa das invenções do Cubo Mágico e Central Telefônica serem Húngaras. 'Hello' em húngaro significa 'Você está me ouvindo?'. Segundo a guia, foi por isso que pegou a moda de falar Hello no telefone, nada de americanos. Inclusive dizem que o húngaro é um dos idiomas mais difícil do mundo. Talvez porque é uma língua que funciona pela adição de sufixos e só. Nenhum prefixo, nem declinações. Por exemplo, essa palavra Legeslegmegengedhetetlenebbekkel que significa "com os mais inadmissíveis de todos". Não, eu não sei falar nada de húngaro mais. Eu sabia obrigado, porque desculpa era difícil demais.

Passamos pela Opera uma versão menor da de Vienna. Isso nos foi explicado, porque a concorrência 'amigavél' pela mais bela cidade entre Budapeste e Vienna fazia com que tudo que uma tivesse, a outra também quisesse. Tipo dois irmãos querendo ganhar presentes dos pais. A guia também nos disse que se não fosse pela Inglaterra, Budapeste seria a cidade que inventou o metrô. Ela bem que tentou excluir 'as ilhas' da competição mas não rolou.

Em seguida fomos para St. Stephen's Basilica uma Igreja com uma história fenomenal. Deve ser mais apreciada por arquitetos com certeza, e eu explico o porquê. Bem, a Igreja teve 3 arquitetos, só que nenhum deles tinha o mesmo estilo que o outro, um era barroco, outro neoclássico e 'não lembro' UHSUAH Talvez os futuros arquitetos me ajudem na foto. O interessante é que metade é Neoclássica, a outra metade é desse estilo que não lembro e o interior é barroco. O legal é que dá pra notar claramente. Vejam na foto.

Escondida nas ruelas de Budapeste
A Igreja dos 3 arquitetos!
Depois daqui, fizemos a travessia pela famosa Chain Bridge que tem muitas histórias macabras de suicídio. O.o A guia contou a história de um menino que foi tentar desvendar porque já ocorria tantos suicídios, e eles atribuem aos leões nas pontas. (???) Enfim, foi dito que o menino viu que os leões não tinham línguas, aí ele suicidou-se. Mais que bela história. Enfim, evitei encarar o leão por muito tempo. As vezes sonho com ele me chamando pra um pulo de bungee jump sem corda :)))))))) Brincadeira, só tentei ser macabro. USHUH

Chamarei Aslam pra botar moral
Ah, uma rápida aula de geografia. Se vocês foram leitores atentos, viram que em todos os destinos que eu fui nesse pequena #eurotrip havia um rio, e por consequência era o mesmo, o Danúbio. Bem, lá em Budapeste o rio marca a divisão das duas cidade, Buda e Pest. A parte mais alta da cidade é Buda, no caso a que estávamos indo, enquanto essa que eu fiquei e mostrei tudo até agora era Pest. A Chain Bridge marca a divisão das cidades, e é famosa por ter sido a primeira ponte a ligar os lados. Uma informação adicional, dizem que Buda significa água, e realmente associam muita coisa à água lá, enquanto que Pest é claramente 'Forno'. E tenho que dizer, comi um pão lá em Pest de supermercado que era uma delícia. Queijo e Bacon.

Danúbio e as Igrejas coloridas do lado de Buda :)
Pra chegarmos ao lado alto chamado Buda, subimos infinitos degraus. Opção de pobre claro, porque tem um carrinho que leva os rycos pra cima. Lá em cima até parece outra cidade completamente diferente. E claro que essas Igrejas com telhados de cerâmica coloridos são a maior atração.


Mátyás Templom de longe a minha favorita.
À muito em reforma, o que só mostra a preocupação com o patrimônio da cidade.
Mas uma vez a água toma conta do cenário, com uma fonte natural de água bem geladinha no calor do inferno em Budapeste. 


Uma garrafa d'água acabava num segundo, eu estava consumindo só Jesus sabe quantos litros de água num dia. Era muito calor, e olha que meu pai vem do sertão, então eu já provei do calor, calor. E sério, não sei se é a falta do calor por estar à quase 6 meses na Inglaterra, mas eu acho que nunca senti tanto calor como naquele dia. 

Ruínas que se tornaram destino de casamentos
Olha o parlamento húngaro gótico.
Foi um pena não termos tido tempo pra tirar foto disso tudo à noite, mas enfim. Nosso dia mal tinha começado. Quando o tour acabou, a guia chamou para irmos almoçar num canto escondido que ela prometia que comeríamos bem, seriam comidas típicas, e não seria caro. Pedi pra ela marcar no mapa. Enquanto fomos tirar uma foto, essa mulher e o grupo sumir. Aí foi descer esse labirinto de ruelas abaixo que de jeito maneira se enquadravam no mapa e sair perguntando pra pessoas nas ruas que nem sempre falavam inglês ou sabia onde era o restaurante. Depois de muito andar - pra variar no sol - achamos o lugar. 

De entrada, tomamos a famosa Goulash Soup, que seria bem parecida com a sopa de carne do Brasil se não fosse o mundo em paprika adicionado nela. Eu achei que não gostaria, afinal nunca fui muito amigo da sopa até o início da minha adolescência, mas o pior é que a paprika funciona e não deixa um gosto forte ou desagradável. 1 ponto pras comidas húngaras. Obs.: A fome não me deixou tirar foto.

De refeição principal Chicken Paprika. lol. Eles adoram paprika sim. Como vocês podem ver o frango vinha com um molho, estilo strogonoff, muito gostoso. Esse troço branco estranhíssimo é  uma espécia de noodles húngaros. Eu até achei no supermercado deles depois. Ele puro é altamente sem graça, então você junta com o molho e fica gostosinho. Depois de um tempo eu abusei do troço branco, mas comi todo o frango :)

Isso tudo mais um refrigerante e eu só paguei 10 euros. Eu achei uma barganha.

Não foi das melhores fotos que eu tirei.
Quando eu pesquisei sobre Budapeste, todo mundo só falava em Spa, e claro que eu não ia deixar de ir. A guia falou que pra tudo o pessoal vai pro Spa, porque tem fonte de águas termais na cidade, então tudo isso foi aproveitado em Spas. 


Széchenyi Spa. No pátio principal havia 3 piscinas. No momento que entrei, vi uma piscina olímpica e só fiz me jogar de cabeça. Nadei de um lado pro outro, só pra depois ver que era proibido molhar o cabelo naquela piscina. Que vergonha!!!!!! Era por isso que todo mundo tinha toca e ficava olhando estranho pra mim. Passado isso eu comecei a perceber o estilo de lá. As piscinas eram aquecidas, com exceção dessa primeira. As temperaturas variavam abruptamente de uma pra outra, principalmente nas internas. Todos esse prédios com um estilo acho que colonial davam um clima todo diferente, e eu não cansava de ficar ali naquelas água, principalmente numa piscina com correnteza que tinha dentro.


Praticamente todo o resto do dia foi gasto ali. Uma horas antes de fechar, umas 6, saímos pra voltar pro hostel, dando uma passada claro, na Heroes Square, e fazer a guitarrinha de Budapeste.

Única guitarrinha de sandália havaiana
Voltando pro metrô, o sistema é o mesmo de Bratislava em questão de ficar autenticando, se tiver dúvidas dá uma lida aqui nesse post. E o resto da noite foi descansar, porque tomar banho de piscina cansa e 5 dias correndo também.

A gente tinha boa parte da manhã e um pouquinho mais da tarde antes de pegar o trem de volta para Bratislava, agora com uma extrema antecedência, porque qualquer atraso ia significar perder o voo e isso não podia. Dei uma checada no mapa e resolvemos ir em direção ao Central Market.




O mercado era tudo que nos contaram de bom e mais um pouco. Esse primeiro andar era basicamente de souvenirs, e o térreo de comida. Rodamos bastante no primeiro, eu queria comprar um chaveiro e um cartão postal como sempre, pra sentir fome e depois comer. Tinha muitas opções de todos os tipos e umas bem baratas, até podia ter gastado um pouco mais, porém o medo de ficar sem dinheiro era maior UHSUA


Queria falar também de uma bebida famosíssima de lá, chamada Pálinka. Volta e meia eu ouvia falar disso, principalmente pela guia que não cansava de reforçar que era uma bebida nacional e todo mundo bebia, porém é muito forte chegando até a 50% de álcool, e com percentagens maiores clandestinamente. Se eu não me engano, consiste de vodka, e é misturado com todo tipo de fruta, tanto que há centenas de variações. Naquele calor, a mulher falou que a gente não podia beber senão poderíamos passar mal, e era indicado comer logo depois de tomar. Veja a potência do troço. Comprei uma garrafinha então pra provar junto com meu pai.

Minha viagem acabou nisso. Fui mandar meu cartão postal, tirei mais algumas fotos, e depois foi só voltar pra Bratislava. Budapeste ficou no meu coração, uma cidade sensacional, muito menos artificial do que Vienna por exemplo, e que te acolhe bastante. Um ritmo calmo, como o Danúbio foi o que me fez apaixonar-se por Budapeste.

Mais uma vez obrigado a todos e todas que leem o blog, comentam, mandam sugestões ou perguntam. Obrigado aos que acompanharam essa minha segunda eurotrip. Vou aproveitar a anunciar minha próxima viagem :) Vou conhecer as cidades nessa sequência:

Bruxelas - Bélgica
Amsterdã - Holanda
Berlim - Alemanha
Praga - República Checa
Varsóvia - Polônia
Roma - Itália
Florença - Itália
Pisa - Itália
Milão - Itália

É bastante eu sei. Vai ser de longe minha maior viagem, 24 dias. Espero que eu volte vivo pra contar minhas experiências. Falta um pouco mais de 1 semana e já estarei partindo pra viagens de novo. Daqui a pouquinho completo 6 meses aqui, estou preparando um post pro blog bem especial. O post de como planejar viagens também está pra sair. Enfim, até a próxima!

Confira outros destinos na seção Já Fui.

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