terça-feira, 18 de agosto de 2015

Rio Grande do Sul - Parte I: Traumas que definem minha forma de viajar.

Madrugada do dia 07. Não precisei nem dormir, afinal meu relógio biológico anda tão desregulado que são raros os dias que eu durmo antes das duas da manhã. Meu voo sairia um pouco depois das três, e como sempre minha meta é chegar no aeroporto pelo menos uma hora antes achei melhor ir andando. (Depois de tantos traumas, você aprende!) Um trauma me fez priorizar voos na minha cidade natal: seis horas de espera em Recife. Não há timeline de facebook, papo com amigos, livros, músicas... nada que consiga preencher seis horas de espera. Depois disso, só viajo de Recife se for a metade do preço e olhe lá.

Foi meu primeiro voo utilizando milhas. Eu fiz um curso intensivo de pesquisas sobre esse assunto. Eu visitei websites e websites, li tutoriais, assisti vídeos, fucei por regulamentos de companhias aéreas, peguei várias informações no meu banco, e agora tenho algum respaldo pra saber mais ou menos com o que estou mexendo. Só que eu sou um pouco cabreiro com as coisas. Consegui as milhas pela conta da minha mãe, e comprei a passagem no meu nome. Não me pediram nenhum documento na hora de preencher os dados. Só um nome. Sabe o quão assustador é isso? Bastante! Tratei de levar além da minha mala comigo, minha querida mãe e seus documentos para o aeroporto. Uma hora de antecedência talvez seria suficiente pra resolver qualquer tipo de mal-entendido que pudesse ter acontecido se eu tivesse errado alguma coisa quando fui efetuar a compra da passagem. (Embora eu tenha aberto o site da gol incansavelmente em busca de qualquer sinal de algo errado e por vezes tenha me convencido temporariamente que não havia nada de errado) Tudo ocorreu bem no check-in. 

Tratei de me distrair observando o aeroporto de João Pessoa. Consigo apontar tantas coisas erradas ali que seria mais fácil entrar no aeroporto com uma venda. Primeiro, pra não ver esse tanto de coisa mal pensada, e segundo porque não faria diferença visto que o aeroporto é tão pequeno que - se brincar - eu consigo chegar em um dos portões de embarque. (Sim, são só dois) Quando vejo no canto do meu olho, Dois Africanos. Um dupla que fez um pouco de fama ao participar de uma das franquias da Globo, Superstar. Fora uma senhora que pediu pra tirar foto com eles, não vi mais ninguém. Achei estranho. Achei que fossem mais conhecidos.

Deixei pra entrar no portão no último minuto. Já ando tão familiarizado (e cansado) com essa rotina de viagens que dá preguiça de esperar todas aquelas pessoas que acham que é normal travar o fluxo de pessoas no corredor pra adequar a bagagem delas da forma mais bonita e inconveniente que elas acharem. Entrei pela parte de trás do avião e me deparei com uma aeromoça observando uma bagunça ligeiramente organizada no corredor. Uma família divida em vários assentos não vizinhos pensando a melhor forma de dispor. "Sempre assim, né?" perguntei. "Nem me diga!" respondeu ela. 

Já dentro do avião. Poltrona no corredor, como sempre. Outro trauma. Sabe quando você tá morrendo de vontade de ir ao banheiro, mas tá sentado na janela do avião e tem duas pessoas do seu lado dormindo? Não sei se vocês sabem, mas é uma situação bem complicada. Depois disso, só assento no corredor. Seja em ônibus, seja em avião. A vista da janela simplesmente não compensa todo o estresse que eu possa chegar a passar. Vai que o avião cai também, ou algo do tipo? Quem tá no corredor tem mais chances, eu acho. Além do que, infelizmente não ando conseguindo dormir tão fácil quanto eu dormia em aviões. Não sei se durantes meus mochilões na Europa, o ritmo e estresse eram tão intensos que a única alternativa que o meu corpo encontrava era desmaiar de sono ou se eu só perdi essa maravilhosa habilidade. A questão é que o fato da Gol passar aquele carrinho com água e outras guloseimas (cobradas!) faz qualquer cristão se perguntar se vale a pena esperar acordado pela chegada da água (de graça!) ou se é melhor aproveitar o sono e dormir.

Em maio, numa viagem de volta de Brasília, minha amiga teve a mala perdida pela Gol. Não extraviada, perdida! A Gol ofereceu 1000 reais de indenização à ela. Mil reais hoje em dia só pra ressarcir a carcaça da mala. Quando pousamos, tudo que eu pedia ao universo em pensamento era que minha mala aparecesse. Enquanto todas as malas eram despejadas na esteira, acompanhadas pelos meus atentos olhos na câmera enquanto um funcionário descuidado arremessava os volumes, eu vivi todo o processo judicial imaginário contra a companhia aérea. Me vi perdendo todas as roupas de sair que ali estavam. Meus carregadores, adaptadores e eletrônicos portáteis que confiei. Trauma. Vai parecer exagero. Minha mala chegou no segundo lote e foi impreterivelmente a última a ser retirada. Tem horas que parece que o universo faz as coisas de propósito pra testar a sua sanidade mental.

Um bom amigo tratou de vir me buscar no aeroporto às nove da manhã. Felizmente não precisei me preocupar com a tradicional pesquisa de onde pegar o Shuttle do Aeroporto, ou coisa do tipo. Acabei descobrindo que ele mora bem próximo à um dos parques de Porto Alegre, o Germânia. Foi lá que eu fui descobrindo minhas primeiras impressões da cidade. Primeiro. Cadê a porra do frio do Sul? Olha, eu sei que eu monitorei a previsão do tempo da cidade e que as temperaturas estavam bem altas pra um típico inverno gaúcho, mas eu realmente esperava que a pegadinha estivesse na sensação térmica. Pois é, amigos. Tinha pegadinha nenhuma. Tava quente e tava quase igual aqui em João Pessoa. E era um quente seco, abafado. Mas já era perto da hora do almoço, eu estava faminto e felizmente o shopping onde iriamos comer ficava à uma quadra dali.

Não fomos almoçar no Joe & Leo's - Shopping Bourbon por causa do almoço em si. Fomos por causa da sobremesa. Essa é uma história de inveja que ouço desse meu amigo desde que voltamos do intercâmbio: Wonder Brownie. Uma sobremesa servida com creme de avelãs, caldas de chocolate e hot fudge coberta com sorvete de creme, chantilly, macadâmias, farofinhas crocante e castanhas de cajú. 


Eu não sei se vocês conseguem constatar como eu. Mas acho que pela primeira vez na vida, eu vi uma foto de comida que não é propaganda enganosa. Ele realmente é enorme. Inclusive o da minha foto parece maior que o da propaganda. Foram três pessoas dividindo essa sobremesa, depois de um almoço caprichado. As porções de lá são enormes, embora o restaurante tenha um preço de médio à caro. 

Depois de uma refeição dessas, acumulado de uma péssima noite de não-sono, tudo que eu queria fazer era tirar um excelente cochilo. Porto Alegre poderia esperar minhas energias serem recarregadas. Mais tarde naquele dia, ainda tive que me deslocar até Canoas, uma cidade vizinha de PoA (sim, sou íntimo já!) onde eu ficaria hospedado nos três dias em que ficaria pela cidade. Pra chegar lá não foi muito difícil. Apenas uma linha de trem abastece parte da cidade e redondezas. Ela serve muito mais pra trazer o pessoal das cidades vizinhas para irem trabalhar em Porto Alegre, do que para o pessoal da capital gaúcha circular na cidade. Foi usando essa linha de trem que cheguei até Canoas. 

O plano da noite era ir numa festa em Porto Alegre numa casa chamada Sinners! As fotos do site prometiam um ambiente maravilhoso, mas eu devia ter me atentado ao nome. Sinners. Foi um verdadeiro inferninho. Uma demora infinita pra entrar na festa, num lugar horrivelmente quente. Que bom que me conseguiram um free, e tudo que tive que pagar foram uns táxis rachados entre amigos. Não recomendo. No outro dia tiveram outras aventuras, mas isso é assunto pro próximo post. 

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Hey Vitor. Esse blog anda meio perdido no limbo e você?

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  2. Really, these quotes are the holistic approach towards mindfulness. In fact, all of your posts are. Proudly saying I’m getting fruitfulness out of it what you write and share. Thank you so much to both of you.
    Office Interior Designers in Coimbatore

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